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sexta-feira, 17 de julho de 2015

17/07

2015

Histórias de repórter (61)

Em 1992, o Brasil vivia uma época de recuperação política e econômica. O Governo do presidente Collor havia liberado as importações de carros, pois ele era ácido nas críticas aos veículos produzidos pela indústria nacional, a qual se referia como carroças. Pouco depois veio o impeachment e o então vice-presidente Itamar Franco assumira interinamente a Presidência, até 1995.
Itamar buscava algo que marcasse sua passagem pelo Planalto e foi achar a saída logo no Salão do Automóvel de São Paulo de 92, poucos dias após sua posse como presidente, em 2 de outubro, uma de suas primeiras aparições públicas. Na mostra automotiva, Itamar ficou inconformado ao perceber que o veículo mais barato em exposição custava o equivalente a US$ 23 mil.
Nascia ali a ideia da marca do Governo Itamar Franco: um carro popular, que pudesse ser adquirido pela classe média, tão popular quanto o Fusca, que havia deixado de ser produzido no Brasil em 1986. Itamar era démodé até na forma de pentear o seu cabelo, tendo como característica o seu inconfundível topete.
Cobri o Palácio do Planalto por algum tempo pela Agência O Globo e estava lá no dia em que ele lançou a “maior novidade” no mercado automobilístico: a volta do anacrônico Fusca, aposentado havia sete anos. Itamar convidou o presidente da Autolatina, Pierre-Alain de Smedt, para uma reunião em Brasília.
Bastou apenas uma conversa para que ele deixasse a capital federal com o acordo da volta do Fusca ao mercado nacional. Em fevereiro do mesmo ano, o protocolo do carro popular foi assinado. Para veículos dessa nova categoria seria cobrado o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de apenas 0,1%.
Esses automóveis seriam obrigatoriamente equipados com motor 1.0 litro e preço ao consumidor de no máximo US$ 6,8 mil. Com o Protocolo de Intenções firmado com o Governo Federal, a Autolatina investiu US$ 30 milhões e proporcionou a geração de 800 novos empregos.
Na imprensa e na própria Volkswagen poucos davam credibilidade ao retorno do Fusca. Assim que a volta do modelo foi anunciada, a mídia alfinetou, dizendo que o carro era ultrapassado, inseguro e incompatível para aquele momento em que o Brasil já recebia os carros mais modernos do mundo por causa da liberação para a entrada dos importados desde o Governo Collor.
A matriz da Volkswagen, na Alemanha, também não viu com bons olhos e considerou a volta do Fusca apenas uma edição especial. A sede brasileira tratava o assunto como uma sugestão do presidente Itamar Franco. Mas em agosto de 1993, Itamar reinaugurou a linha de montagem do Fusca na fábrica de Anchieta, da Volkswagen.
Na cerimônia, usou um Fusca conversível, feito especialmente para a ocasião. Apesar do sucesso de marketing, o Fusca Itamar começou a encalhar nas concessionárias meses depois, fazendo a Volks a canalizar a distribuição do modelo para as revendas de cidades do interior, pois nas grandes capitais os consumidores não encamparam a ideia.
As vendas do Fusca Itamar só despencavam pelo fato de ter o preço muito próximo de carros mais evoluídos. Em 28 de junho de 1996, o Fusca sai de linha no Brasil, de forma discreta. Nos três anos de vida do Fusca Itamar, foram produzidas pouco mais de 46 mil unidades.
Muitas versões ficaram para a volta do Fusca na era Itamar, uma delas a de que o político queria apenas agradar sua ex-namorada Lislie, que possuía um exemplar 1981. Quando assumiu a Presidência Itamar era divorciado e mantinha um relacionamento discreto com Lisle Lucena, filha do ex-senador Humberto Lucena.
O universo feminino, aliás, foi um capítulo à parte na trajetória pública de Itamar, entrando para a história as imagens dele que correram o mundo ao lado da modelo Lilian Ramos sem calcinha num camarote do carnaval do Rio em 1994.
Quanto ao Fusca era de fato um carro popular, mas custava praticamente a mesma coisa que os populares da vez, o Uno Mille, da Fiat, e o Corsa, da GM, dois modelos mais confortáveis e bem acabados. E, assim, a popularização que se pretendia com o renascimento de um modelo tão querido acabou ficando pelo caminho.

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